sexta-feira, 19 de outubro de 2012

8. A praça é bela


A imensa Praça Vermelha, com toldos para a festa de aniversário de Moscou. Ali atrás deles fica o mausoléu do cara
Krasnaya Plochtchad

Krasnaya tanto pode ser bela quanto vermelha, em russo. A Praça Vermelha (Krasnaya Plochtchad) é, de fato, tudo isso. Depois da primeira visita domingo à noite, voltei lá mais duas vezes. Na terça, sob chuva, para visitar o Kremlim; e na quinta, sob o sol, para comprovar sua beleza, entender o propósito das grades e áreas fechadas, ficar alguns segundos diante de Lênin e incansavelmente tirar fotos da colorida Catedral de São Basílio, o Bem-Aventurado. Depois falo do Kremlim.
A maior parte das grades cercava uma área utilizada na quinta-feira para uma exibição de cavaleiros. Sim, botaram sobre a praça um piso que parecia argila com lama para os cavalinhos. Sob o toldo, houve uma apresentação de dança russa tradicional. Mais ao fundo, arquibancadas. Frente a elas, ensaiavam para o parabéns... dançarinos, militares, bonecos, bandeiras. E tome turistas!
Sobre Lênin, resumi no Facebook: Hoje vi o camarada Lênin. Fingindo-se de morto, o danado. Tá bem vivo pela cidade. Ainda. No mausoléu, punho direito cerrado, mão esquerda aberta. Orelhas pequenas, de lutador de MMA. Para o bem ou para o mal, travou batalhas históricas. Parece baixinho. Nas muitas estátuas, é um gigante. Mas todo mundo fica menor na hora da nossa morte... Imaginem o tom cruise e o lula... Sem foto pq eles pegam até os celulares dos japas...
Eis o camarada. Na penumbra do mausoléu, só ele recebe a pouca luz. Se o turista ficar dez segundos parado observando, vem um dos muitos guardas e cutuca o visitante, em russo, ordenando que a fila ande. O encontro  não dura mais que um minuto. A entrada é gratuita, você só paga o guarda-volume (40 rublos/R$ 3), onde deixa qualquer bolsa ou máquina fotográfica. Li que a mão direita está assim porque estragaram as pontas dos dedos no processo de embalsamento.
 A foto é da web, claro

A Catedral de São Basílio, o Bem-Aventurado é meio hollywoodiana, labiríntica, com uma decoração em cada cúpula. A cada passo, um espanto. De novembro a abril, fecha às terças. Na hora dos bilhetes, uma peculariedade comum em atrações russas: você paga um ingresso para entrar e outro para fotografar, quiçá outro valor para filmar e fotografar. Lá foram 250 (R$ 18)  rublos para entrar e 160 (R$ 12) para fotos.

Ela é mesmo espetacular, por dentro e por fora
Mais do interior da Catedral de São Basílio

Olhando para cima na catedral. Duas abóbadas, duas cúpulas, duas maravilhas






Acima, outra passagem na São Basílio. Abaixo, detalhe do teto e do lustre nessa passagem

Vista dos fundos: podem procurar defeito
Deesculpem, mas todo ângulo é ângulo
Chega de tentar adjetivar
Como assim? Arlequinal, diria Mario de Andrade
O Relógio Mundial, com as cidades separadas conforme o fuso horário. Abaixo dessa cúpula tem um shopping subterrâneo. Nas duas últimas linhas  está escrito: San José e Panamá
E toda hora é hora de São Jorge guerreiro.




Soldados com estandartes e uma bonecona: ensaio para a festa



Soldados embandeirados: façam festa não façam a guerra







Lá estão os cavaleiros na arena montada no meio da praça



Pirueta hípica na praça

Cabeças cortadas de turistas diante da exibição



Turistas, turistas e turistas no centro turístico da cidade
Eis a Catedral de Kazan novamente, agora sob o sol
Lanchonete autoexplicativa diante dos muros vermelhos

Esse é um dos canais bem perto da Praça Vermelha. Ao longo dele, ali na sacada, lanchonetes

O canal, com pontes, estátuas e chafarizes. São os Jardins de Alexandre







quinta-feira, 18 de outubro de 2012

7. Добрый ночи, Москва




Apesar da grande quantidade de mulheres bonitas, Moscou tem um dragão em sua bandeira. O lema da cidade é: O inimigo jamais conseguirá abaixar a tua cabeça! Quem conhece um pouco da História russa pode concluir que eles levam lemas a sério. São Jorge, ele mesmo, é o padroeiro da Rússia e da cidade de Moscou.




Boa noite, Moscou


À minha primeira aventura na língua russa em Moscou, só entendi a ambulante responder: não sei. Atravessei a rua com as malas, tentei de novo e o lojista me explicou o caminho em inglês. O hotel fica a uns dois grandes quarteirões da Bielorruskaya, no máximo 400 metros. Do bom inglês das recepcionistas do Sheraton, entendi apenas que minha reserva não tinha sido confirmada. Mas dez minutos depois estava no quarto e mais um tempo além embiquei na Tverskaya-Yamskaya rumo à Praça Vermelha. Avenidas imensas, trânsito médio às 22h de domingo, jovens bebendo na rua, latas e garrafas em muretas perto das estações de metrô. Depois da primeira caminhada, e da primeira Baltika, a cerva, era hora de me maravilhar. Muitos turistas, mesmo à noite, para ver a praça. Mas a maior parte das luzes brilha mesmo é no vizinho e luxuoso shopping Gum. E então vi que, apesar de todas as pesquisas e os preparativos, bobeei no planejamento. Em nenhum lugar vi que Moscou faria 865 anos no dia 1º de setembro, sábado. E eu ficaria na cidade de domingo a... sexta-feira, dia 31. Os preparativos para a festa incluíam uma surpresa para mim: a maior parte da praça estava fechada ao público. Mas nem deu para desanimar diante de tanta beleza.



Matrioshkas numa vitrine do shopping Gum






A Vetochny, rua atrás do Gum

Uma entrada da praça. O prédio ao fundo estão o Museu Nacional de História e uma das torres da ressurreição

Prédios vermelhos, na rubra praça

Eis a praça, com barracas e grades, antecipando a festa de aniversário de Moscou. Atrás do muro, o Kremlim


A Catedral de São Basílio, o Bem-Aventurado. Um show de cores, torres, bulbos  e arabescos. Não abre às terças

Festa e desfiles, de 1º a 8 de setembro. Feliz aniversário, Moscou!

A entrada principal do Gum

Mais do mesmo: nas grades à direita formam-se, durante o dia, as filas para ver Lênin dormindo para sempre

Tentativa de panorâmica: a entrada com as torres da ressurreição à esquerda, a Catedral de Kazan e o Gum super-iluminado

Cercadinho sobre a Praça Vermelha. Não adivinhei para que seria

Ah, o suposto luxo que custa caro a assalariados! A TV do hotel me dá boas-vindas, e está pronta para me dar instruções. Depois, me avisa que vai rolar um barulho de obra... e ainda pede desculpas


terça-feira, 16 de outubro de 2012

6. Tem uma surpresa na mala para você

Como se diz 'perdi a mala!' em russo? Não sei, nem quero saber

Desembarquei em Moscou com as palavras da agente de viagem na cabeça. Ela, gentilmente, alertou-me:
Informamos que não é permitida a entrada na Rússia sem hotel pré-pago no país de origem. É de nossa responsabilidade avisar aos passageiros que a entrada no país está sujeita à apresentação de reserva confirmada pela Agência, Seguro Viagem e serviços.
É de inteira reponsabilidade do Sr. caso sua entrada seja impedida pelo fato de não estar com a documentação adequada. Reservas feitas pela internet, sem pré-pagamento, podem não ser aceitas pela migração. Até quando um passageiro chega de navio, só pode sair com tour adquirido pela cia maritima.
Ok, obrigado, senhora. Fui naquela  fé, os  dois hotéis com reserva confirmada, mas sem cobrança adiantada no cartão. Então, temeroso, encarei a  fila da migração. O policial olhou o passaporte, olhou minha foto, preencheu a tal ficha que eles anexam ao passaporte e... Счастливого пути! Não, acho que ele não desejou boa viagem. Mas foi supertranquilo.
 Próximo estresse, por favor; esse foi moleza. Pois é, nem deu tempo de sair do aeroporto. Na esteira 6, com o nome do voo lá, passageiros vizinhos a postos, malas rodando e... nada. Dez, 20, 30 minutos... Em algum momento, esteira já rodando, os alto-falantes anunciaram algo, em russo (e talvez em inglês). Vi alguns passageiros saindo, mas os que reconheci do avião continuavam lá, pegando suas malas. E o número do voo continuava lá, na esteira 6. Mas 45 minutos depois, me dei por desesperado. Em Moscou e sem mala! Ok, tinha o básico na mala de mão... Sofria, porém, pensando onde achar o balcão da Alitalia, se falaria em italiano, russo ou inglês (ou seja, por mímica). Olhei ao redor e fui procurar informação. Mas sei lá por que resolvi observar também outras esteiras. Vai que... Esteira 5, nada! Esteira 4, nada! E eis que, perto da esteira 4, lá estava minha malona preta, com o escudo do Fluminense, largada num corredor. Mais um pouco e seria destruída pela polícia? Será que pegaram na esteira 6 e largaram ali? Será que foi aberta? Veio pela esteira 4? Se quisessem levar, teriam levado. E eu quase a abracei de alegria naquela hora. Perdi pelo menos 90 minutos no aeroporto com isso. Mas tudo está bem quando acaba bem, dizem. O cadeado estava trancado. Então, vamos ao passo seguinte: tentar chegar no hotel.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

5. Nas asas da Alitalia

Um passo à frente do meu tempo

A primeira cerveja em Moscou: Báltika 3 (com fritas) 
Há quem goste de viajar de avião. Não é o meu caso. Claro, nunca andei de executiva ou primeira classe. Então, a viagem em geral se resume à contagem das horas para chegar, de preferência sem turbulência. O voo da Alitalia para Roma foi bom, nos padrões da classe econômica, com ruídos comuns a qualquer classe: uma criança de colo que chorou algumas horas, amigos italianos que conversavam alto mesmo ao apagar das luzes. Muitas opções de filmes, mas já tinha visto os poucos  com legenda em espanhol ou português. Vi sem entender (em inglês) um daqueles filmes que não preciso entender. Denzel Washington mata metade do elenco em "Safe hause" (creio que no Brasil virou "Protegendo o inimigo"). E mais um  dispensável: "A pesca do salmão no Iêmen" ou "Amor impossível". Diante desses títulos, nem preciso comentar. Ou sim, a Emily Blunt é uma gracinha.
Viajar com conexão é emendar sofrimentos. Depois de dez horas empacotado (+ 5 de fuso) e quase sem dormir, foram três horas e meia no Aeroporto Internacional  Leonardo da Vinci/Fiumicino. Expresso, brioche, água, lojinhas, leitura, sono. O voo para Moscou, também pela Alitalia, saiu às 10h45m. Antes, o primeiro pequeno susto: no embarque, a moça pergunta pelo meu visto, em italiano ou inglês, nem lembro. Fico mais mudo que nunca... Um minuto se passa e ela consulta o terminalzinho... onde vê que turistas brasileiros não precisam mais de visto para a Rússia (só para permanência acima de 90 dias). O acordo, pesquisei, é de junho de 2010. O voo chegou a Moscou, com pequeno atraso, por volta das 16h45m. São quatro horas de voo (e +2 de fuso). Fuso total para o Rio: 7 horas à frente. Depois comprovei que nem sempre é bom estar à frente do seu tempo...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

4. Na rede, a viagem antes da viagem (2)

Antes da viagem, a viagem

O serviço virtual rumo à Rússia vai além da reserva de quartos num site de hotéis (no meu caso, usei o Booking.com). Depois dos hotéis, fui logo fechar a passagem Moscou-SPB. Precisava sair dia 31/8 de Moscou. O site ( https://www.russiantrains.com/pt/) é prático e fácil de usar, com versão até em português (ou espanhol ou inglês, para quem preferir). Optei pelo trem rápido, classe econômica. Valor: US$ 141,11 (R$ 300).
O bilhete para o primeiro dia no Hermitage. No pátio, logo depois dos arcos, tem um guichê para quem comprou bilhetes pela internet trocar o voucher pelos ingressos definitivos
O guichê para trocar o voucher do Hermitage
O site do Hermitage (http://www.hermitagemuseum.org/) também é eficiente (só em russo ou inglês). Comprei um bilhete para dois dias consecutivos. Você valida na primeira visita e ele serve no dia seguinte (se você for domingo, vale para a terça-feira, já que o museu não funciona às segundas-feiras). Valor: US$ 25,95 (R$ 55 muito bem pagos). Para um dia custa US$ 17,95.
Outro ótimo serviço on-line é o de passagens para o Aeroexpress. São trens que saem dos principais aeroportos de Moscou (Sheremetyevo, Domodedovo e Vnukovo) para três diferentes estações de metrô no Centro da cidade. Ao desembarcar e ser abordado no saguão por dezenas de ávidos taxistas que agem livremente à caça de turistas, falando em russo, inglês e até português, me senti sem saída. Quando consegui explicar que já tinha um bilhete, e enfim achei o caminho para o Aeroexpress, concluí que tinha feito a melhor opção. O preço? 320 rublos, no cartão de crédito, equivalentes a US$ 10,44 (cerca de R$22). Basta imprimir o comprovante, com o código de barras. No meu caso, o trem era do aeroporto Sheremetyevo para a estação Bielorruskaya. Comprei no dia 15/8 para o trem do dia 26/8. Pode-se comprar também no caminho inverso, saindo dos metrôs Paveletskaya, Bielorruskaya e Kievskaya, rumo ao seu aeroporto de embarque.



O bilhete impresso no Rio. Ao lado, a mensagem que recebi confirmando a compra
Ao descer em Sheremetyevo, sair para o lado esquerdo do saguão. Pegar o elevador para o primeiro andar e seguir essas placas no chão rumo às plataformas E ou F. Não tem erro.

Билет Аэроэкспресс Здравствуйте!
Номер Вашего заказа: 171602
Спасибо, что Вы с нами,

Аэроэкспресс.


O interior do Aeroexpress: conforto e viagem tranquila.
A primeira foto já no Centro de  Moscou. O trem chega à estação Bielorruskaya, por volta das 18h30m. A foto está ruim, e eu ainda estava ansioso. Faltava encontrar o hotel reservado, entrar no quarto e afirmar, de fato: cheguei!

sábado, 29 de setembro de 2012

3. Na rede, a viagem antes da viagem

Pesquisar é preciso
Humor em detalhe na placa do Pushka Inn, e sobriedade no Sheraton
Dá para rodar o mundo na internet, é certo. Muita coisa é o que parece. E muita coisa não é. Nunca foi ou não é mais. Mas a viagem virtual sempre ajuda. Pontos turísticos, Hermitage, trem Moscou-SPB, trajeto aeroporto-cidade, gastronomia: tem um bocado de informaçõe úteis. A informação mais difícil, para mim ao menos, foi quanto aos hotéis. Afinal, tem para todo gosto. E essa foi a parte mais complicada dos preparativos. Acertadas as passagens aéreas, reservei primeiro em SPB. O escolhido foi o Pushka Inn (Naberezhnaya Reki Moyki 14). Achei que a estação de metrô não ficava distante e que ficar perto do Hermitage era um trunfo. Antes de ir, olhando o mapa, Moscou parece uma imensidão (ok, são mais de 11 milhões de habitantes) onde é fácil ficar perdido. Como informaram os internautas, a cidade não tem farta oferta de hotéis e os bons são caros. Os ruins também não são baratos. Entre o meio caro e o caro, optei pela promessa de conforto e bom atendimento: reservei um quarto no Sheraton (Tverskaya-Yamskaya 19). Não muito longe do metrô Bielorruskaya e a três quilômetros (ou três estações) da Praça Vermelha. Naquela imensidão, melhor seguir o conselho geral: ter uma estação de metrô por perto é fundamental. Mais do que fé em Lênin, nessa hora foi preciso acreditar no cartão de crédito.

Os blogs mais úteis rumo à Rússia foram:
zigadazuca.blogspot.com/
http://www.travelallrussia.com/en/theaters  
imagensviagens.com
destina.me
  
Depois, escrevendo, achei esse aqui e achei bacana:
http://lobodaestepe.com/ 

2. 25 anos depois, outro passo

Do livro 7 ao passaporte

Lucas e Beatriz, sorrisos no GIG
Frequentei o curso até 1987, no máximo 1988, e fui até o livro 7 (ao menos é o último que tenho em casa). Vinte e cinco anos depois, muita vida e muita vodca depois, a Praça Vermelha explode num filme com Tom Cruise; eu tiro uns dias de folgas/férias; e a patroa, sem pausa no trabalho e com nossos filhos em casa/escola, sugere:
- Vai prum lugar onde você sempre quis ir e dificilmente iríamos juntos.
E a Rússia entrou no mapa. Na agência de viagens, o primeiro contratempo. Só queriam vender a passagem com o pacote anexado. É como estar no topo de uma duna em Natal e o guia não lhe dar a chance de responder: com emoção ou sem emoção? Algumas brigas por e-mail e telefone depois, eis meu pacote: Rio-Roma-Moscou//São Petersburgo-Paris-Rio. Cinco noites em Moscou, quatro em SPB. Embarque sábado, 26/08/2012. A agente de viagens deixou seu recado: é perigoso, sem pacote você nem entra no país, eles são rigorosos, tem que ter comprovante dos hotéis, ninguém fala inglês, quiçá português, não negocio só a passagem. Como disse meu camarada Claudio Uchôa, recém-chegado da Rússia, e que cuidou de tudo sem agência, ela fez o papel dela, não há o que temer, vai na fé. Em Lênin.
O cartão de embarque na ida, pela Alitalia, com escala em Roma.