terça-feira, 30 de outubro de 2012

11. Metrô, onde o buraco é mais embaixo



A arte de andar de metrô em cirílico
Acima e abaixo, rabiscos no meu inseparável folheto do metrô de Moscou



Todo (bom) metrô de grandes cidades lembra emaranhados e causa estranheza ao turista à primeira vista. Se ele só tiver informações em cirílico, então, tudo parece mais difícil. O meu primeiro passeio de metrô em Moscou levou dez minutos para começar. Entrei na estação Bielorruskaya, a mais próxima do hotel, comprei um bilhete de cinco viagens com facilidade (piáti, five, mão aberta e 135 rublos contados). É magnético e quando você passa a roleta informa quantas viagens restam. Desci a gigantesca escada rolante e fui para a plataforma. Foi no metrô que minhas jurássicas aulas de russo mais me ajudaram na viagem. Fiquei lendo as informações e batendo com o meu mapa, tirado de uma revista. Os trens passavam, saía e entrava muita gente. Eu mudei de plataforma e continuei lendo, até enfim entender. Na Bielorruskaya, isso é óbvio no mapa, passam duas linhas: a verde e a cicrular marrom. As placas em cada plataforma indicam as próximas estações, da esquerda para a direita, no sentido do trem. Abaixo dos nomes de cada estação estão os outros destinos das diferentes conexões. São 11 linhas e quase 200 estações (182, vi numa reportagem, pois não contei). A maioria da população circula de metrô; então, tem sempre movimento. Mas não peguei nenhum trem lotado como os do Rio. A explição talvez seja  simples: em horários de pico, conforme a linha, contei 50 segundos entre um trem e outro. Então tá: sai uma penca de russos e russas e entra outra penca de russas e russos. Sem muita turbulência nem esfregação nem disputa para arrumar onde se segurar. Perdoem a resolução menor; todas as fotos aqui foram tiradas com um iPod.



As placas  informam: esta é a estação Bielorruskaya (último nome à direita); e é a plataforma da linha marrom, que faz conexão com a verde (estações listadas de cima para baixo à direita). A estação seguinte é a Krasnopresneskaya. E assim por diante. Ao lado, frente e verso do bilhete de metrô: 135 (menos de R$ 10) rublos para cinco viagens.

Placa na plataforma da Kurskaya, linha lilás, próxima estação: Ploschad Revolyutsi; depois: Arbatskaya, com as devidas conexões.
 Tudo somente em cirílico







Cena comum na Plochad Revolutsii. Passageiros tocam nas estátuas de bronze. Diz a lenda que passar a mão no focinho do cão dá sorte, mas vi gente tocar numa pata e em outras estátuas também. Elas ficam sob os arcos da estação. Ah, e não é apenas um cão de bronze. Eu vi três deles, todos com focinhos ainda dourados graças aos esfregões


A  Maiakovskaya num horário de pouco movimento: mármores, lustres e amplidão são comuns no metrô, cuja construção começou nos anos 1930, quando o comunismo era Deus na antiga URSS/CCCP

Acima e abaixo, mosaicos no teto da estação Maiakovskaya, na linha verde

 
Mais do teto da Maiakovskaya



A estação Bielorruskaya também tem mosaicos ao longo do teto



Este Lênin está na estação Kievskaya. E eu com ele, esperando o trem que já vem
A Kievskaya tem conexões com as linhas azul, lilás e marrom

Detalhe, creio que na Estação Teatralinaya


Escadas rolantes de diferentes estações, em Moscou e em São Petersburgo, todas grandiosas. Num dia contei no cronômetro: foram dois minutos e meio descendo. Geralmente são três escadas. Volta e meia tinha uma pifada, mas sempre duas funcionando. Não imagino como fazem caso duas parem. Ao pé de cada uma, sempre tem uma cabine com monitores de vídeo observando as escadas e cenas das plataformas. E dá para notar, todas têm muitas luzes







Detalhe da Prospekt Mira

VDNKh? Prospekt Mira? Pushkinskaya? Não anotei


A estação Komsomolskaya é exuberante. Perto dela fica o terminal dos trens para São Petersburgo
Lustre na Komsomolskaya

A estação Gorkovskaya, em São Petersburgo, a mais próxima da Fortaleza de Pedro e Paulo
Placa no metrô de SPB: diferentemente de Moscou, informação também em inglês

Ainda SPB: Avtovo

Nestas duas fotos, uma curiosidade do metrô de SPB: a estação Maiakovskaya é uma que tem portas como de elevadores.  O trem para e duas portas se abrem simultaneamente, a do trem e a da estação



Em SPB, moedas para o metrô

A estação Teckhnologichesky Inst tem outro ponto comum no sistema metropolitano de SPB: duas linhas passam numa mesma estação. A linha vermelha vai para Devyatkino; a linha azul vai para Parnas. Os dois destinos ficam ao norte. Aqui as linhas se cruzam e depois seguem quase paralelas. Ou seja, não passa um trem para um lado e outro para o outro. Há uma outra plataforma, com outro acesso, com o mesmo Teckhnologichesky Inst no nome, com duas linhas para o sul

Repeteco sem amassados do metrô de Moscou. Só para comprovar como ele é abrangente

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

10. O russo é rude ou o russo é doce?

 Russos e flores: uma constante ou uma coincidência de viagem?

Jardim perto da Praça Vermelha (à esquerda). Ao fundo, o relógio dos fusos. Já disse: embaixo disso tudo tem um shopping
O mesmo jardim: bem-cuidado
Na internet, os relatos dos viajantes divergem, mas é comum encontrarmos gente afirmando que os russos são... rudes. No mínimo. Há inclusive quem apresente a desculpa da língua: afinal, se nada entendemos, cada frase pode parecer uma sucessão de palavrões e broncas. Outros dizem que é herança da guerra fria ou da (re)pressão militar. Oito dias é pouco tempo para chegar a uma conclusão. Mas uma cena recorrente me fez pensar que não é bem assim. Na primeira noite, cerca de 22h de um domingo, caminhando pela Tverskaya-Yamskaya, ao passar pela estação de metrô Mayakovskaya, vi um sujeito parado qual um pateta com um ramo de flores. Na hora achei a imagem fora de lugar, não sei por que, por isso o "pateta". Mas depois, dia após dia, em diferentes lugares e horários, em Moscou e São Petersburgo, dei de cara seguidamente com gente carregando flores: mulheres feias e bonitas, casais, homens... ramos pequenos, ramos grandes, flores solitárias.  Fiquei apatetado, pensando se os russos compram flores para suas casas ou se são românticos mesmo. Ou se foi uma baita coincidência. Os jardins dos parques têm flores bem cuidadas, mas isso é comum na maior parte do mundo civilizado. Há quiosques de rua que vendem flores. Mas isso no Rio também tem. Mesmo na Zona Sul do Rio, se eu ficar de bobeira passeando oito dias não creio que vou esbarrar regularmente com gente com flores.
Vacilei e não tirei uma foto dessas pessoas com ramos nas mãos, mas aqui vão mostras dos jardins, onde as flores reinam tratadas com todo cuidado.



Mais flores perto da praça

Detalhe no parque VDKNh


Ao lado da estação Gorkovskaya, SPB

Praça em frente à Estação Finlândia, SPB

Em São Petersburgo, mais jardins. No Campo de Marte
Perto da estação Pushkinskaya, Moscou

terça-feira, 23 de outubro de 2012

9. Muito além do Parque Madureira

Parques com tudo em cima

O tão aclamado Parque Madureira tem lá seus encantos, mas é fichinha perto dos principais parques de Moscou. Eles são grandiosos, têm quilômetros de área, atrações de toda sorte (gratuitas e pagas), muito verde, jardins bem-cuidados, banheiros, áreas para esportes, bares, quiosques, vendedores (raros com jeito de camelô), brinquedos e imensos portais que lembram o auge do comunismo.  Fui em dois: o Gorky e o VDNKh. E cabem uns oito parques Madureira em cada um deles.
Nunca vi "O mistério do Parque Gorky" (1983), mas tirei uma tarde ensolarada, sem possiblidade de crimes, para conhecer o lugar. Saí da Praça Vermelha, cruzei o Rio Moscou, virei à direita e fui seguindo a margem.

O monumento a Pedro o Grande
Pedrão, no detalhe
Atrações pelo caminho: uma ponte com "árvores" feitas de cadeados amorosos, à moda de Paris; o monumento a Pedro o Grande (dizem que tem 55 metros de altura, eu acredito); a vista da Catedral do Cristo Salvador, do outro lado do rio; e o Parque das Artes, uma área verde repleta de esculturas e estátuas dos mais diversos autores e retratando as mais diferentes figuras, com uma parte no fundo  reservada a monumentos retirados das ruas da cidade; ou seja, muitas estátuas de líderes comunistas que foram os maiorais em determinadas épocas, e que hoje não merecem mais figurar em cada esquina. Entre eles Stalin, Brejnev e mesmo ele, Lênin. Esse lugar dos bronzes esquecidos pós-revolução fica ao lado do Gorky e é chamado nos guias de viagem de Jardim dos Monumentos Depostos, ao lado da Nova Galeria Tretyakov (li que exibe obras de pintores russos de vanguarda e de artistas puxa-saco do antigo regime (1930-50). Dali, basta atravessar (pela passagem subterrânea, sempre) mais uma grande rua (Krymskiival) e chega-se ao parque. Gostei muito de uma área gramada com grandes almofadões (grandes mesmo, do tamanho de um colchão de casal) jogados para o povo deitar e rolar. Mas é um lugar ótimo para passar o dia, sem mistério. Se for de metrô, a estação próxima ao Gorky é a Oktiabrskaya.
Almofadões para o povo na grama do Parque Gorky
O VDNKh é bem mais distante do centro histórico. Fica na estação de mesmo nome, perto do Museu da Cosmonáutica (ou das conquistas espaciais). Visitei esse museu em um dia de muita chuva. Estão lá duas cadelas da raça Laica (aquelas enviadas ao espaço), protótipos (inclusive da estação espacial MIR), satélites,  trajes espaciais, fotos etc. Falar em fotos, assim que acionei a máquina, veio uma senhorinha bolchevique me cobrar o tíquete para fotos. Eu não tinha, e tive que driblar as muitas velhinhas vigilantes para fazer algumas fotos com o iPod. Com chuva, o museu  valeu a pena. Mas foi difícil de achar, porque eu tinha o endereço (Prospekt Mira 111), mas desci na estação errada (justamente a Prospekt Mira). Pela numeração, achei que estava perto, mas nessa tarde descobri que do número 100 ao 110 pode-se percorrer quilômetros numa avenida russa. Encharcado, enfim vislumbrei o monumento em homenagem ao Sputnik, com a nave no topo e Gagarin na base. O museu fica embaixo desse pontudo monumento. A entrada custou 200 rublos (uns R$ 14).
Sob chuva fina, aproveitei para ir então no vizinho parque VDNKh (ou Centro de Exposições de Toda a Rússia). Além de barraquinhas e atividades mil para adultos e crianças, ele exibe pavilhões que (segundo li, pois não os visitei) enaltecem a vida nos países da antiga URSS, um belo lago com chafariz e estátuas. Do lado, perto do primeiro portal, um parque com montanha...russa!, roda gigante etc.
Votei ao VDNKh outro dia, sem chuva. Fui de trenzinho de um lado a outro (120 rublos/R$ 8,50, ida e volta). Lá no fim, duas atrações especiais, principalmente para crianças: uma nave e um avião que podem ser visitados, mediante pagamento, claro. E, para os adultos beberrões, uma barraca-barril onde uma pessoa servia chope.

Tchau, bela praça. A caminho do Rio Moscou (ou Moskva)

Chafarizes no meio do Rio Moscou (vê-se o monumento a Pedro lá no fundo)
Ponte pontuada com árvores de cadeados: muita promessa de amor amarrada

A Nina está fechada com alguém


Mais paixão encadeada numa árvore


A nau de pedro e as cúpulas de Cristo Salvador
Gandhi no Parque das Artes: sujou para ele
Mais bustos pelo parque


A placa abaixo identifica esses dois: Einstein e um tal Bor... Talvez seja o cientista dinamarquês Niels Bohr  (1885 - 1962), que sabia tudo de átomos. Dizem que ele não gostou de ver seu conhecimento utilizado para fabricar bombas atômicas

O narigudo Pinóquio também enfeita o parque


Eis exemplares de revolucionários tirados das ruas
Aqui eles ficaram pequenos
O portal principal do Gorky, fotografado já de dentro do parque

E aqui, a foto para o outro lado: o jardim é só o começo

Um brinde ao comunismo no quiosque (não rolou, estava fechado nesse dia)
Bancos de madeira: só tem um sujeito, mas cabe muita gente


Atrás dessa casinha, uma área para a prática de esportes no Gorky. Na janela, o caixa. Na lista, de cima para baixo, tem futebol, vôlei, handebol, badmington e corrida



Lá vai o Sputnik. O Museu da Cosmonáutica fica aí embaixo

Gagarin e, lá no fundo, a roda gigante perto do VDNKh. Ele e o Sputnik

O avião no VDNKh também pode ser visitado

O foguete: para entrar, basta pagar

Ingresso no avião: 150 rublos (R$ 11)

Queremos piva, ou seja, chope (100 rublos o copão de plástico)
Nada de nadar nas águas do chafariz, pessoal
A placa traz informações em inglês: fato raro em Moscou
O mapão do parque, com tudo numerado
Um dos monumentais monumentos do VDNKh. Além dessa rua principal, há duas ruas laterais, um pouco menores





A nave espacial MIR, no Museu da Cosmonáutica. Pode entrar
A MIR por dentro



A nave pousou: cenário do Museu da Cosmonáutica